Hidromel na mitologia nórdica: Odin, Valhalla e o hidromel da poesia

Poucas bebidas têm um papel tão importante numa mitologia quanto o hidromel entre os povos nórdicos. As histórias chegaram até nós principalmente pela Edda em prosa, escrita na Islândia no século XIII por Snorri Sturluson.
Kvasir, o mais sábio dos seres
Depois de uma longa guerra, os dois grupos de deuses nórdicos, os Æsir e os Vanir, selaram a paz cuspindo num mesmo caldeirão. Desse pacto nasceu Kvasir, um ser tão sábio que sabia responder a qualquer pergunta.
Kvasir viajava pelo mundo ensinando, até ser assassinado por dois anões, Fjalar e Galar. Eles misturaram o sangue de Kvasir com mel em três recipientes, e o resultado foi o hidromel da poesia: quem o bebesse se tornava poeta ou sábio.
O roubo de Odin
O hidromel acabou nas mãos do gigante Suttungr, que o escondeu dentro de uma montanha, guardado por sua filha Gunnlöð. Odin, o principal dos deuses, decidiu buscá-lo. Disfarçado, entrou na montanha na forma de uma serpente, passou três noites com Gunnlöð e, em troca, ganhou o direito a três goles. Em cada gole, esvaziou um recipiente inteiro.
Para fugir, Odin virou águia e voou de volta a Asgard, perseguido por Suttungr, também em forma de águia. Chegando lá, cuspiu o hidromel em vasos preparados pelos deuses. Na pressa, um pouco caiu pelo caminho. Segundo a história, esse é o hidromel dos maus poetas: quem quiser pode beber dele.
Por isso, nos poemas nórdicos, a poesia era chamada de "hidromel de Odin" ou "bebida dos anões".
O hidromel de Valhalla
O hidromel também aparece em Valhalla, o salão para onde iam os guerreiros mortos em batalha. Sobre o telhado vive a cabra Heiðrún, que come as folhas de uma árvore sagrada. Do seu úbere não sai leite, mas hidromel, o suficiente para encher um enorme caldeirão todos os dias e servir a todos os guerreiros.
Por que o hidromel e não outra bebida?
No norte da Europa, onde a uva não crescia bem, o mel era um luxo e o hidromel, uma bebida de festa e de prestígio. Faz sentido que ele aparecesse nas histórias como a bebida dos deuses, da sabedoria e dos heróis. Até hoje, é a primeira bebida que vem à cabeça quando se fala em vikings.
Um gole de história
Não garantimos o dom da poesia, mas o Laurelin vai bem em qualquer celebração.
Conhecer o LaurelinFonte: Snorri Sturluson, Edda em prosa (Skáldskaparmál e Gylfaginning), século XIII.


